Em um sonho eu andava vestido, mas descalço
Sapatos largados pelo caminho, água nos pés
Pensei de súbito um poema vermelho: batom, vinho e sangue
O vinho que me corre pelas veias
Batom em todas as taças. E sangue na boca
Com esmalte vermelho nas unhas compridas
Ela rasga-me a pele impiedosamente
E me bebe como um vinho quente
O sangue frio escapando pelas veias
Marcas de batom em todas as saudades
Em todas as cidades um pôr-do-sol, vermelho
Em meu espelho uma mancha antiga de vinho
Minha tristeza é feita de sangue nos olhos
E pedra nos sapatos que largo pelos cantos
Saudade de um gosto vermelho de batom
Tantos prantos em garrafas vazias de vinho
Pensamentos embriagados de eu estar vestido
Mas descalça a alma alada voando livre
Para um vermelho de um outro pôr-do-sol
Teu batom, tua boca, tua taça
Teu sangue em minhas veias
Um teu vermelho meu
Sonho de um pôr-do-sol...